Ao te ver desprovido
de personalidade,
a zombar do amor,
que sem reservas te dou,
ofertando a alguém,
o que me deste, com facilidade,
eu, me envergonho
por ter te dedicado amor!
Como pude, meu Deus,
como eu pude,
me entregar tanto
e arquitetar tanto sonho?
Eu te dei amor
em toda sua plenitude;
e cabisbaixa, confesso,
que muito me envergonho!
Tudo é idêntico
com outra pessoa,
farsa calculada!
Com que cinismo finges,
com que naturalidade!
Posso finalmente agora,
teu caráter, decifrar...
O que me maltrata,
não é ciúme, não é nada!
A minha vergonha,
confesso, na verdade,
é porque não consigo
deixar de te amar!
Arethuza Viana

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