sexta-feira, 11 de novembro de 2011

OS OLHOS DO MEU PAI


muito mais
que que eu possa
dizer sobre eles...

Castanhos:
cor do mel das colméias
do meu tempo de menina...

Neles, eu posso sentir
aquele tipo de sentimento
que se encontra
nas pessoas excepcionais.

A consciência
de estar agindo mal,
me impede de ter com eles,
maiores intimidades...

A luz que vem
dos olhos do meu pai,
me transmite um pouco
do seu dinamismo impetuoso.

Nada é semelhante
á expressão
dos olhos do meu pai,
sempre suportando golpes,
com dignidade.

Neles, a incapacidade
de dissimulação:
- Fato que às vezes
lhe causa sérios dissabores...

Gosto de me refletir
nos seus olhos,
como se pudesse me ver
na antiga cacimba
da minha infância...
Observá-los como fazia,
à luz dos candeeiros,
aderindo o seu estado de espírito...

E sinto tanta saudade
Do meu tempo de criança!

Mas lembro
que sou bem grandinha
e que seus olhos não gostam
do papel de mulher lamurienta:
- Não vai bem comigo!

Perto ou longe,
dos seus olhos, pai,
acredito em ti,
quase sem flexibilidade
nas suas argumentações!

Arethuza Viana


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